A Ericeira era na antiguidade conhecida pelas suas imensas minas de água e copiosas cascatas que caiam das falésias das suas praias. As mais famosas eram as denominadas águas medicinais de Santa Marta. A comprová-lo, este achado de "pedra míto" de origem romana:
Descoberta, em 1947, no n.º 5 da Travessa da Misericórdia (antigo Casão da Armação e anterior Paço dos Morgados da Ericeira), este pequeno altar votivo provavelmente de cariz privado, dada a sua pequena dimensão, está identificado com um culto generalista (não individualiza o objeto de culto), sugerindo-se o culto das águas.
Esta árula, datada do século II, poderá tratar-se de uma "pedra mito", referenciada desde o século XV como pertencendo ao altar de Santa Marta. O documento original que a identifica descreve uma audiência nos Paços do Concelho da Ericeira em que um homem chamado Gomes Leite era condenado a entregar uma "pedra mito", pertencente a Santa Marta.
Uma vez que Santa Marta está relacionada com águas medicinais, e pelo facto de ter sido descoberta, em 1484, uma "pedra mito" em escavações perto do atual local de Santa Marta, a árula tem sido também associada a estas águas medicinais. Um culto, aliás, muito conhecido na vila da Ericeira ao longo dos séculos, existindo vários documentos que proíbem os cultos pagãos das águas.
Leitura:
ATILIA . PVB[L(ii) FI] / [L(ia)] . AM[O]E[NA] / FONTI[BVS] / A(nimo) . [L(ibens)] [P(ossuit)]
Tradução:
Atília Amena, filha de Públio, colocou esta árula de boa vontade às fontes
Localização actual: Arquivo-Museu da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira.

