domingo, 20 de julho de 2025

O foral de 1229

 

Foral de 1229


Em Dezembro de 1189, em Coimbra, o rei D. Sancho I  faz doação da Vila de Mafhara a D. Nicolau bispo da cidade de Silves (recentemente conquistada aos mouros), o qual em Março de 1190 concede o primeiro Foral aos moradores desta vila de Mafra, com todos os seus termos (onde se incluia a vila da Ericeira). 

A 10 de Agosto de 1218, em Coimbra, o rei D. Afonso II confirma a doação que seu pai D. Sancho I tinha feito à Ordem Militar de Évora do castelo de Mafra, em virtude da perda uns anos antes da cidade de Silves que retornara novamente para a posse muçulmana.

D. Fr. Fernão Anes, eleito em 1196 terceiro Mestre da Ordem e Cavalaria de Évora, assina em 1218 os termos do acordo de transferência (informal) da Comenda de Santo Isidoro de Ribamar, da Ordem do Templo para a transitária Ordem de São Bento de Avis. O Mestre permanece por algum tempo na Herdade de Chãos fazendo dela a sua residência temporária até que a transição se complete.

Em 1219 D. Fr. Fernão Rodrigues Monteiro é eleito 4º Mestre da Ordem e Cavalaria de Évora e 1º da Ordem de Avis (após a primeira ter sido para ali transferida) na presença do Rei de Portugal D. Afonso II, de sua mulher a Rainha D. Urraca, do Príncipe herdeiro D. Sancho e dos Infantes D. Afonso (mais tarde Afonso III), D. Fernando e D. Leonor.

 Tal como o seu antecessor, o Mestre D. Frei Fernão Rodrigues Monteiro habita periodicamente a Herdade de Chãos (antiga possessão Templária de Santo Isidoro) mantendo laços estreitos com a vila visinha da Ericeira à qual acaba por conceder em 1229 o primeiro Foral aos moradores da Vila regulando assim a relação destes com os seus donatários.

"(…) Quanto aos pescadores, deem a vigésima parte do pescado que matarem no mar. De doze peixes, levem um para conduto antes de darem a vigésima parte, e se matarem congro, comam-no. Do pescado que encontrarem morto, não paguem foro. De baleia, dêem a vigésima parte. De toninhas e delfins sem impedimento, em ocasiões de fome (…)". 

A Ericeira que já vinha assinalada em mapas antigos com as suas variantes de nome como Eyriceia, Ericeyra, Ericeya, etc. tornara-se um dos principais portos de mar do Reino. Com a atribuição do seu primeiro Foral subia assim a Sede de Concelho.

 

Ouriço cacheiro

sábado, 19 de julho de 2025

O Jagoz


O termo "Jagoz", tem sido usado para designar os habitantes da Ericeira, particularmente os pescadores. Diz-se que terá também origens antigas, possivelmente ligado a uma localidade de fundação fenícia. No entanto o termo "Jagoz" é seguramente muito anterior a qualquer uma das primeiras civilizações que aqui acostaram na antiguidade.
 
Os Jagus eram uma comunidade marítima, sub-grupo tribal dos Túrdulos Velhos que ocupavam toda a zona costeira, do Tejo ao Mondego. Terão visto chegar à sua costa os primeiros marinheiros gregos, os fenícios e os cartagineses que com eles interagiram. Foram, no entanto, os romanos quem lhes retirou a identidade tribal.
 
Durante a ocupação árabe o grupo étnico dos jagozes ficou reduzido ao povoado piscatório que seria o embrião da Vila da Ericeira e aí se manteve isolado, como uma ilha, rodeado da população rural a que deram o nome de "saloios" e com os quais sempre teve relações. Umas vezes boas, outras nem tanto. 
 
A designação de Jagoz chegou-nos portanto até hoje, fruto de uma herança cultural única, bem enraizada, fortemente apegada à tradição marítima de gerações e gerações de  Ericeirenses.
 
 
 
...ou deveríamos antes dizer Ericínios? 

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Ericina

 

  A deusa Ericina é um epíteto de Afrodite (na mitologia grega) ou Vênus (na mitologia romana), relacionado ao monte Erix na Sicília. O nome "Ericina" deriva do mito em que Erix, filho da deusa com um rei local, teria erguido um templo em sua homenagem no alto da montanha. Esse templo tornou-se um importante local de culto, e a deusa passou a ser conhecida como Afrodite Ericina ou Vênus Ericina. Acredita-se que o local original do culto possa ter sido um santuário púnico dedicado à deusa Tanit, que foi posteriormente associado a Afrodite.

Tanit era uma deusa fenícia e púnica, especialmente venerada em Cartago, onde era considerada a principal divindade junto com Baal Hammon. Ela era associada à fertilidade, fecundidade, amor, e também era considerada uma deusa lunar e dos mares. Seu símbolo, um triângulo/trapézio com uma linha horizontal e um círculo acima, é frequentemente encontrado em representações da deusa e é considerado um símbolo feminino estilizado.

 Mitologias à parte, Ericina parece ter sido a mais provável origem antiga do nome Ericeira. A apoiar esta hipótese está o facto de ter sido encontrado há muitos anos numas obras feitas em Santa Marta um fragmento de cerâmica púnica com a inscrição "tyt" que era como os fenícios escreviam Tinnit, Tennit ou Tannou, precisamente no local onde dizem ter havido um pequeno templo fenício. E como uma coisa leva à outra...

 ...Ericina fica sendo a nossa melhor hipótese.

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Nota: é extraordinariamente sugestiva a semelhança deste símbolo ancestral com o pôr-do-Sol e o seu reflexo nas águas do mar. Nele podemos "ver" o sol a tocar o horizonte, o brilho resultante do seu reflexo e a linha de costa, praia ou terra na sua base. Será uma interpretação válida se pensarmos que os antigos tinham uma relação directa com a natureza e dela tiravam inspiração para a sua simbologia. Fica à vossa apreciação...

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Euribia

 


 Têm procurado encontrar (erradamente) nomes prováveis que estejam na origem do nome Ericeira, pelas semelhanças fonéticas; Ericiaria, Ouriceira, Erithreia, etc. À partida todas estas estão descartadas. Restar-nos-á Ericina e Euríbia.

De Ericina tratamos depois.

Euríbia (em grego: Εὐρυβία) é uma forte candidata a ter sido o nome original. Uma deusa menor do mar na mitologia grega, filha de Ponto (o mar primordial) e Gaia (a terra), ela é conhecida por ser a esposa do titã Crio e mãe dos titãs Astreu, Perses e Palas.

Euríbia é associada à fúria e à violência do mar, e é frequentemente vista como uma divindade sob o domínio de Poseidon, o deus dos oceanos. Será que as fortes nortadas, tão frequentes nos invernos da Ericeira, e que quando puxadas a vento sempre tornaram o mar bravíssimo, terão impressionado os primeiros mareantes gregos?

É uma hipótese... 

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Origens

 


É comum dizer-se que o nome Ericeira "...segundo a tradição, deriva da expressão "terra de ouriços", por causa da abundância de ouriços-do-mar nas suas praias. Algumas investigações sugerem que o nome pode ter tido origem na palavra latina "Ericiaria" que também significa lugar onde abundam ouriços, possivelmente referindo-se ao ouriço-cacheiro, e não ao ouriço-do-mar"
 
Muito dificilmente o ouriço-do-mar daria o nome à Vila pois é comum em todo o litoral "oestino", abrangendo diversas localidades costeiras e nenhuma delas tomou o seu nome. O mesmo juízo se fará para os chamados ouriços-caixeiros que teriam dado o nome à terra, mas só porque também são ouriços.
 
Mas o nome deverá ter as suas origens muito anteriores uma vez que por aqui andaram gregos, fenícios (possivelmente também cartagineses) e romanos, pelo menos.
 
 
Ouriceira? Ericiaria? Eritreia? Euríbia? Ericina? Vamos ver...

terça-feira, 15 de julho de 2025

Benvindos


 Benvindos ao blogue "Ericeira de ontem e de hoje"

Para o Jagoz recordar e o visitante informar.

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Como se diz por cá: "Seja benvindo quem vier por bem."